
Com os pés encharcados pela chuva, pés que nem vejo, debaixo dágua, pés de Édipo.
Que a chuva escorre pelas janelas dos vestidos e camisas de botão, escorregando faces faceira e mente que já finda. Chuva que desenha o contorno dos corpos apressados.
Que a chuva desnuda a cidade e seu caos. Que a cidade se alaga de problemas, de nada feito. De feito. As gravatas bóiam nas poças, pois os pescoços estão salvos em gabinetes anti-derrapantes. Hipermeabilizados pela ignorância e cansaço. Este passo cansado. Se me perguntasse como vai a vida, mas não perguntaria.
Que a cidade vira mar, com seus carros-ilhas, boiando.
A cidade a Sol aberto é sempre um copo cheio. E qualquer chuva é sempre a gota d'água. A cidade se transtorna, mas não transborda.
Alagados, meus pés cansados teimam. Temem, mas teimam.
E vão. Contra corrente.